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Computador1Temos os nossos dias ocupados com trabalho e tecnologia. E todos os dias recebemos ou lemos idéias e pensamentos que nos inspiram. Na maioria das vezes acontece que utilizamos estas inspirações para mantermos a percepção da vida perfeita que não existe. A não que apliquemos estas mensagens na vida real. Porém a maioria de nós não o faz, e manter essas leituras faz-nos cair em armadilhas de mundos perfeitos onde não temos problemas nem desafios para ultrapassar.

Viver em tamanha virtualidade faz-nos criar vidas virtuais, amizades virtuais, romances virtuais, felicidades virtuais, temos conversas virtuais, e fazemos da vida uma continuação dos contos de fadas onde há os bons e os maus, onde um dia a nossa princesa ou principe aparecerá, e onde estamos separados daqueles que amamos e de nós mesmos. Toda a nossa vida vive no mundo virtual, até mesmo os nossos sonhos. E com tanto virtualismo esquecemos da importância vital que é realizarmos os nossos sonhos.

Old_man_2Mas será que os conseguimos realizar? Será que um dia olharemos para trás e veremos que os nossos sonhos foram maiores que as nossas concretizações? Se assim fôr, como nos sentiremos?

Criamos em nós uma série de incapacidades, nomeadamente a incapacidade de estarmos presentes, de respeitarmos honestamente quem nos rodeia, e de nos interessarmos genuinamente pelos outros. Esse respeito honesto e esse interesse genuíno passam pela resolução das nossas adversidades e conflitos. Mas nem sempre o conseguimos fazer. Porque não conseguimos estar presentes para os conflitos que temos nas nossas vidas? Porque será que quando chega o momento de termos “aquela conversa”, temos medo, assustamo-nos, e todas as portas se fecham?

Vivendo numa espiritualidade virtual, esquecemo-nos do que é ser verdadeiramente espiritual. Esquecemo-nos que ser espiritual é saber expressar com respeito, todos os dias, a nossa humanidade. Ser espiritual é saber ter, no momento certo, a presença certa para aqueles que nos rodeiam. E essa presença nem sempre é agradável. Pensamos que ser espiritual é ser bonzinho, mas nada tem a ver com isso. Ser bonzinho é estar armadilhado na moral que apaga quem somos e no auto-sacríficio.

MultidaoSer espiritual é reacendermo-nos em cada palavra, pensamento, gesto ou sentimento que temos connosco e com os outros. É reacendermos os outros, trazendo-os para o mundo dos sentimentos e das emoções e ajudá-los a percorrer esse mundo, sem medos. Ser espiritual é trazer luz para os caminhos mais escuros que possamos estar a percorrer. Muitos pensam que por serem religiosos já são espirituais. Existem muitas pessoas religiosas que não têm espiritualidade e muitas pessoas muito espirituais que não professam nenhuma religião. Uma coisa não implica a outra. Espiritualidade é viver com pés no chão. É libertarmo-nos de culpa e ressentimento, é encontrarmos a nossa voz no meio de tantas e darmos a nós mesmos a oportunidade de criar um mundo melhor ao nosso jeito, mesmo desajeitado, mesmo imperfeito, mas acima de tudo humanamente nosso e em permanente abertura para transformação.

Em que nos transformamos todos os dias que passam? Por acaso sabemos que todos os dias nos tornamos em algo?

Onde está a nossa espiritualidade afinal? Será que criamos momentos de introspeção e silêncio nas nossas vidas onde apenas estamos connosco e onde escutamos a nossa voz interior? Será que criamos momentos apenas com Deus? Em que rezamos pelos outros?

Diria que a crise do mundo de hoje não é mais do que a crise que tem atingido o homem desde sempre: a fuga de si próprio. Escudamo-nos em tudo o que podemos para fugirmos de nós: entretenimento com a tecnologia, empregos absorventes, vidas de glamour, romances de ocasião, guerras de poder, materialismo, espiritualidade virtual, uma aula de ioga, uma carta astral, a dieta alimentar certa para elevar o espírito… e já iniciámos as nossas crianças nesses caminhos.

Nunca existiu tanta ajuda no caminho da espiritualidade e, no entanto, a fuga a este caminho é maior do que nunca. Estar nesse caminho é estar na verdade, e a maioria de nós não o deseja, uma vez implicar alguma desestruturação, purga sentimental e rearranjo do pensamento.

Continuamos a negar-nos o direito de vermos a nossa luz e a nossa maravilha. Do que será que temos medo?

Heart

Dentro de cada um de nós há uma centelha divina, à espera de ser acesa para brilhar no mundo.

E você é capaz!

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Computador1

Our days are busy with work and technology. And everyday we receive thoughts and ideas that inspire us. But what most of the time happens, is that we use these inspirations to keep the perception of a perfect life that does not exist. Unless we apply these messages in real life. But most of us do not, and by keep on reading them, we fall into consecutive traps of perfect worlds where we don’t have problems to solve or challenges to overcome.

By living in such virtual worlds, we create virtual lifes, virtual friendships, virtual romances, virtual moments of happiness, we have virtual conversations, and we make life a continuation of fairy tales, where there are the good and the bad (and we are always part of the good team!), longing for our princess or prince to appear, and we create huge separations from those we love and from ourselves. Our entire life starts and ends in a virtual dimension, even our dreams. And we so much virtualism, we forget how vital it is for us to fulfil our dreams.

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Can we make our dreams come true? I wonder if one day we will look back and we will realize that our dreams were greater than our accomplishments. And if that happens, how will we feel?

People create a series of incapacities, naming the incapacity to be fully present, to have an honest respect for those who surround them, and to have a genuine interest in others. That honest respect and genuine interest proves the capacity we have to solve our adversities and conflicts. Many times we can’t do this. What is it that we are afraid when we decide not to be present when there is a conflict in us or with someone else? Why is it, that when the moment to have “that conversation” arrives, we feel fear and shut down?

Living a virtual spirituality, we forget what is to be truly spiritual. We forget that to be spiritual is knowing how to express with respect, everyday, our humanity. To be spiritual is having the right presence to others at the right time. And that presence is not always pleasant. We think that to be spiritual is to be “good”. To be “good” is to be trapped in the moral that shuts down who we are and overwhelms us with self-sacrifice.

Multidao

To be spiritual is to rekindle in every word, thought, gesture, feeling we have with us and others. It is to rekindle others, by bringing them to the world of feelings and emotions and help them to move along that world without fear. To be spiritual is to have the strength to bring light to the darkest paths we encounter. Many people think that being religious means to be spiritual. There are many religious people who have no spirituality and many spiritual ones that have no religion. One thing does not imply the other. Spirituality is to live with your feet on the ground. It is to let go of guilt and resentment and find our voice among so many, giving ourselves the right to create a better world, even if clumsy, even imperfect, but above all human and in permanent openness for transformation.

What do we become everyday? Do we know that everyday we become something?

Where did our spirituality go? Do we create moments of introspection and silence and spend time with us? Do we create moments alone with God? Do we pray for us and others?

The crisis of the world is no more no less than the same crisis that strikes man since ever: the escape from himself. We hold on to all we can so we can run away from ourselves: entertainment with technology, absorbing jobs, lives full of glamour, occasional romances, wars of power, materialism, virtual spirituality, ioga classes, astrological charts, the right diet to elevate the spirit… and our children have been initiated as well.

It has never existed so much help in the path of spirituality and yet, the flight away from this path has never been greater. To be in that path is to be in truth, and most of us do not want that, once it implies some disruption, emotional purge and rearrangement in the thinking system.

We keep denying ourselves the right we have to see our wonder. What do we fear?

Heart

Inside each of us there is a divine spark, waiting to be switched on and shine in the world.

You can do it!